O Projeto Piloto aqui apresentado objetiva despertar nos pais o interesse na criação de Associações, em seus Condomínios, que incentivem a solidariedade, o afeto e a valorização das crianças e adolescentes para mantê-los longe das drogas, da violência e de outras ameaças à sua integridade. Cuidar de nossas crianças e adolescentes significa abrir espaços de ação criativa e transformadora da realidade social, pois eles são o futuro do Brasil, do Mundo! Cuidar de nossos idosos é cuidar de uma parte de nós mesmos.
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17/05/2012

A Verdadeira (e a Falsa) rebeldia jovem

por Mauro Kwitko

Na minha época, ser jovem era ser rebelde, independente, infringir regras, mudar esse mundo careta dos meus pais e avós, curtir as músicas modernas que tocavam nas rádios e nos programas de televisão, e era assim que tinha de ser, era assim que eu queria ser e todos os jovens também queriam.

Mais tarde, fui conhecendo jovens e eles pensavam como eu, quando era jovem, que ser jovem é ser rebelde, independente, infringir regras, mudar esse mundo careta dos seus pais e avós, curtir as músicas que tocam nas rádios e nos programas de televisão, e era assim que tinha de ser. Estão achando repetitivo o que eu estou escrevendo? Pois bem, é de propósito, continuemos.

Quando fiquei coroa e, agora sessentão, indo para o terço final dessa atual passagem pela Terra, fui conhecendo os novos jovens e eles querem ser rebeldes, independentes, infringir regras, mudar esse mundo careta.

Os jovens que estão me lendo devem estar pensando: mas ser jovem é isso, ser rebelde, independente, infringir regras, mudar o mundo, isso é ser jovem! O meu lado (ainda) jovem concorda, mas vamos ver ponto a ponto:

1. Ser rebelde
Concordo inteiramente em ser rebelde, mas contra o quê e como? Existem duas maneiras de ser rebelde: rebelar-se contra a sociedade, contra seu pai, mãe, a família, contra uma parcela de políticos, a corrupção, as injustiças sociais, contra a fome, a miséria, a violência... de maneira negativa ou positivamente. Como são essas maneiras?

A maneira preferencialmente escolhida pelos jovens, se não fossem levados pela imagem criada de "Ser jovem é...", seria a rebeldia positiva, buscar ser diferente, um ser humano melhor, procurar dar o exemplo, ou seja, se os adultos caretas fumam, não fumar; se bebem, não beber; se são acomodados, não ser acomodado; se alguns políticos são corruptos, não ser corrupto; se a injustiça social, a fome, a miséria, a violência no Brasil e no mundo lhe incomoda, entrar em ONGs, Associações, Entidades, que lutam contra isso, para que um dia ninguém mais passe fome, ou viva na miséria, para que acabe de vez a violência.

Uma certa parcela dos jovens se rebela de maneira negativa, fumando, bebendo, drogando-se, indo mal nos estudos, vivendo na noite, ou trancando-se dentro de si, deprimindo-se, enraivecendo-se, enfim, numa maneira de rebelar-se que leva à sua própria destruição, numa canalização mal dirigida de sua força jovem, de sua indignação, que deveria ser positiva. Para os primeiros, dou meus parabéns, pois eles mudarão o mundo; para esses, eu dou um conselho: sejam diferentes do que não aprovam, não sejam iguais, pois estão mantendo o mundo exatamente como ele é ou até tornando-o pior.

2. Ser independente
Existem duas maneiras de querer ser independente: uma achando que é independente mas, na verdade, sendo prisioneiro da mensagem midiática, que lhe convenceu de que ser independente é fumar, beber, "aproveitar a vida", ser maluco, meio doidão, bem no estilo americano e europeu de ser jovem... A outra maneira é ser independente de fato, evitando seguir o que as mensagens comerciais incentivam, interessadas em transformar os jovens em meros consumidores.Ser independente é mandar em si, mas para isso o jovem deve desenvolver um discernimento, uma visão crítica em relação ao que lhe entra pelos olhos e pelos ouvidos. Se é uma mensagem positiva ou negativa, se visa lhe incentivar a usar a sua força jovem, a sua indignação, positivamente, para melhorar o mundo, ou para "aproveitar a vida", que lhe argumentam que é uma só, que a juventude passa rápido, que tem de fazer tudo o que pode, antes de - que horror! - virar adulto e, pior ainda, ficar velho!
No Oriente, é um orgulho ficar velho; aqui no Ocidente é motivo de vergonha.

3. Infringir regras
Uma das regras que os jovens devem infringir é a criada, por alguns segmentos da indústria e do comércio, de que "Ser jovem é ser doidão"; essa deve ser definitivamente infringida! Alguns programas de rádio, filmes e sites na Internet incentivam essa concepção, ela deve ser infringida totalmente! Jovens do Brasil: infrinjam essa regra!
Mas uma regra que nunca deve ser infringida é a regra moral que diz que os jovens devem esforçar-se para utilizar a sua energia e força jovem para melhorar o mundo, para acabar com o hábito de fumar, de beber, de usar outras drogas, e saber utilizar o seu tempo para colaborar em organizações sociais, espirituais, humanitárias.
Essa regra deve ser imediatamente adotada! Ao invés de ir para a pracinha fumar um baseado, ou de ir ao bar tomar cerveja e jogar conversa fora, ao invés de ficar horas e horas em frente à televisão assistindo programas que ativam os nosso chakras inferiores ou no computador "conversando", jogando ou passando o tempo, rebelar-se contra isso e procurar uma Instituição onde possa unir-se a pessoas que trabalham para ajudar os pobres, irmãos abandonados, carentes, doentes. Essa é uma ótima rebeldia!
Uma regra que não deve ser infringida é a que diz que os jovens devem estudar, ser ótimos alunos, para tornarem-se profissionais e trabalhar em empresas, em órgãos governamentais, que se caracterizem por ter uma atividade que ajude a acabar com a injustiça social, com a fome, a miséria, com a violência no Brasil e no mundo.

4. Mudar o mundo para melhor
Essa deve ser a principal atividade e meta dos jovens! Para isso, os jovens devem perceber o que piora o mundo, o que o mantém como está e o que pode melhorá-lo para ele tornar-se, um dia, como todos queremos, nós, os utópicos.
Por exemplo, um jovem é idealista e quer melhorar o mundo, e vai trabalhar numa fábrica de cigarros ou de bebida alcoólica, ou numa distribuidora dessas drogas, ou em algum local onde a venda é incentivada. Onde ficou o seu ideal? O que mais provavelmente acontecerá é que irá matar seu sonho e irá tornar-se um adulto cínico e hipócrita, que sabe que está fazendo o que não é bom para o mundo, que trabalha em um local que não tem a preocupação social de ser útil para as pessoas, que visa apenas vender e ganhar dinheiro.

Aos adultos que já foram jovens e se perderam de seu ideal e aos jovens que são bombardeados diariamente pelas mensagens "jovens" de "Como um jovem deve ser..." eu sugiro cuidado, discernimento. Vejam o que estão fazendo com aquela vontade de melhorar o mundo, de termos uma sociedade mais justa, mais humana, mais digna. Estão fazendo isso ou apenas isso jaz adormecido, ou morto, dentro de si?

Ser rebelde é usar o poder da indignação positiva e ajudar a transformar o mundo.

Fonte:
w.stum.com.br/clube/c.asp?id=25845


22/03/2011

Lugar de estudante não é na Igreja

Essa é a opinião manifestada por um  padre de uma comunidade no Maranhão, mas parece que é regra da igreja católica. No Bairro onde moro a igreja também não é aberta à comunidade.
 O jornalista Leonêncio Nossa (O Estado de S. Paulo) escreveu sobre as dificuldades encontradas pelas professoras e comunidade para atender os estudantes. Ele relata que é marcante o contraste das águas no encontro do barrento Ramos com o negro Aicurapá. Num trecho da margem esquerda deste último, no alto de um barranco, está a comunidade do Maranhão, onde vivem 130 famílias. Na comunidade, há um esforço dos adultos pela educação. Eles  recebem crianças vindas das cabeceiras, dos pequenos igarapés, dos furos, dos trechos mais distantes da várzea, dos lugares onde não se sabia ter moradores. Elas apareceram, com os pais ou sozinhas, em canoas, às vezes duas ou três na mesma embarcação.
 Oito professores trabalham em turmas de 1.ª a 8.ª séries no colégio local. A igreja transformou-se em sala de aula, pois há 270 matriculados na escola, o triplo do número de meninos e meninas da comunidade. “Foi para atender a demanda de fora que colocamos crianças na igreja,” conta o líder comunitário. Mas durante um sermão, o padre disse “que não quer mais saber de estudante na igreja, que igreja é lugar de rezar”.
Além das intempéries,  a dificuldade é o espaço físico para as aulas. O líder comunitário fala das reivindicações feitas a prefeitos e parlamentares, sem sucesso.
Por três meses a prefeitura não pagou o salário dos quatro barqueiros que transportam crianças para o Maranhão. “Os barqueiros continuam no serviço por amor às crianças.”, diz o líder.
A professora de Português, Miracir  Ribeiro, usa textos de Cecília Meireles, Marina Colasanti, Jorge Amado e de Lygia Bojunga Nunes nas aulas. Mãe de quatro filhos, Miracir fala das dificuldades na cheia. “Acho que falta uma política de governo para amparar o ribeirinho. Por mais que ele esteja preparado, é sempre complicado: as plantas morrem, os animais fogem para não morrer ou são mortos pelas sucurijus.”
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Fiquei impressionada com esse relato. Em uma comunidade sofrida pela falta de uma condição mais digna de vida, a professora se empenha em apresentar  aos alunos uma seleta literatura, e o padre quer os estudantes longe da igreja!
Aqui em Porto Alegre também a igreja não favorece a comunidade no seu empenho em realizar serviço social. Se as igrejas tem imóveis, eles  são alugados por um valor bem alto. A igreja visa o lucro financeiro, e não o trabalho comunitário.
Leia a matéria completa:
Vila investe em educação, mas padre rejeita aula em igreja
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,vila-investe-em-educacao-mas-padre-rejeita-aula-em-igreja,695242,0.htm 
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